Cartas ao Espírito Errante ( cheirando a guardado)

 


Por Adélia Carvalho

Não espero chuva passar para atravessar a rua

Costumo deixar a chuva me molhar e amo ver cada gota caindo.


Eu gosto de andar sem pressa só pra ver o movimento do mundo girando.

Mas por favor seu moço, se eu entrar na roda da boêmia, será até de manhã,

caso não aguentar, simplesmente eu durmo, mas não me prenda a um capricho,

porque não vou acatar.


Simplesmente me deixe sair, se eu não voltar, favor não me espere chegar.

Deixe-me vestir a mais bela roupa,

aquela que guardei na gaveta que "cheira a guardado".

eu vou até onde te ensinei ir, vou contar minhas desventuras

e pagar uma bebida pra aquela jovem de olhar perdido,

pois ela vai me dizer o que é preciso.


Desculpe, pois meu tempo é o presente, não sou Deus

e nem muito menos diabo, sou errante,

a própria ideia de movimento, sou o grito.


Silêncio, a risada mais irônica, o mito e a verdade, a confusão e a alegria,

o olhar sedutor e o que menos gosta,

isso não quer dizer que eu não seja de bom caráter,

portanto se não puderes entender, seja paciente.

Desculpe, meu tempo é o passado.


Parte integrante do livro: Reflorescer Poético: Um novo jeito de enxergar o mundo.

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