MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE UMA MERETRIZ
"Lembro-me que as senhoras se benziam, faziam novenas e rezas quando nos viam. Nossa alcunha , e os xingamentos eram ditos em voz alta: - Meretrizes! Marafonas! Éguas!. O consolo era os contos de réis, dados pelos "Senhores de alta classe".
Esses eram os escritos que atravessava aquele papel de carta amarelado pelo tempo. Talvez, a memória única de uma senhora desencarnada e presa pelos umbrais da tão dolorosa culpa.
Manhã de setembro, 1935, Dona Carmem Lucy, recém chegada de uma fazenda, do interior, adentrava a casa de soleira aberta, sol a vista, o único vestígio de luz naquele lugar de alegrias forjadas e desencantos. Uma leve sombra abraçava suas costas, assim como sua sentença de morte. Loiros, eram os cabelos das polonesas esquálidas, ruivos e macios, das francesas esbeltas e de olhares sedutores. O seu corpo não era muito atraente, sua pele era da cor de jambo, cabelos curtos e sem apetrechos de requinte, apenas o que reluzia, era seu inocente e gasto sorriso.
Chegando a noitinha, a cortesã, batia as palmas, avisando do "expediente". - Chegaram! vários homens da lei, chefes, políticos...enfim, chegaram! Hora de entretê-los!faça-lhes soltar os contos de réis! - assim, a dona da casa anunciava.
Esses eram os escritos que atravessava aquele papel de carta amarelado pelo tempo. Talvez, a memória única de uma senhora desencarnada e presa pelos umbrais da tão dolorosa culpa.
Manhã de setembro, 1935, Dona Carmem Lucy, recém chegada de uma fazenda, do interior, adentrava a casa de soleira aberta, sol a vista, o único vestígio de luz naquele lugar de alegrias forjadas e desencantos. Uma leve sombra abraçava suas costas, assim como sua sentença de morte. Loiros, eram os cabelos das polonesas esquálidas, ruivos e macios, das francesas esbeltas e de olhares sedutores. O seu corpo não era muito atraente, sua pele era da cor de jambo, cabelos curtos e sem apetrechos de requinte, apenas o que reluzia, era seu inocente e gasto sorriso.
Chegando a noitinha, a cortesã, batia as palmas, avisando do "expediente". - Chegaram! vários homens da lei, chefes, políticos...enfim, chegaram! Hora de entretê-los!faça-lhes soltar os contos de réis! - assim, a dona da casa anunciava.
- Esmerinda? Limpe os alabastros e as taças teremos algumas visitas importantes!- chamou a atenção a cafetina. Em um tom de voz imitando as governantas europeias, imponente.
- Deveras. A senhora quer que eu limpe o salão?
A voz de Esmerinda era trêmula, sorriso contido e sua pele tinha algumas marcas de sol. Os cabelos eram presos com presilhas e seus vestidos eram feitos sob encomenda. Ela tinha um " preferido " que lhe dava muitas prendas.
Enfim, memórias póstumas de uma mera puta, errante e de infindas dores e amores não realizados, em um tempo em que a chuva só molhava as calçadas de pedra. Velo minha má sorte, em um tom dissonante. E a chuva? Ainda não passou.


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